Por Ana Claudia Paixão – via Miscelana
O Bonito CineSur chega à sua quarta edição em um momento em que o cinema sul-americano continua buscando espaços de circulação fora dos grandes festivais internacionais. Realizado em uma das cidades mais conhecidas do turismo brasileiro, o evento volta a reunir produções de diferentes países do continente e aposta novamente em uma combinação que se tornou sua marca: cinema, meio ambiente, formação de público e integração cultural.
A edição de 2026 acontece entre 24 de julho e 1º de agosto, em Bonito, Mato Grosso do Sul, com entrada gratuita. Ao longo de nove dias, o festival exibirá 32 filmes distribuídos entre mostras competitivas de longas e curtas-metragens sul-americanos, produções ambientais e obras realizadas no próprio estado.
Neste ano, a principal homenageada será a atriz chilena Paulina García, um dos nomes mais respeitados do cinema latino-americano contemporâneo. Vencedora do Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por Gloria, ela construiu uma carreira marcada por personagens complexas e contraditórias em produções como A Noiva do Deserto, Narcos e, mais recentemente, Querido Trópico, escolhido para abrir oficialmente o festival.
A seleção competitiva reúne produções de praticamente toda a América do Sul. Entre os longas escolhidos estão o brasileiro A Vida de Cada Um, dirigido por Murilo Salles, o peruano Naira e o paraguaio ¿Quién Mató a Narciso?, novo filme de Marcelo Martinessi, diretor que chamou a atenção internacional com As Herdeiras. A diversidade de temas é uma das características da programação, que passa por conflitos familiares, memória, identidade, violência política e transformações sociais.
A questão ambiental, por sua vez, continua ocupando um lugar central dentro do CineSur. Entre os títulos selecionados estão documentários e ficções que abordam mineração, pesca ilegal, justiça climática, preservação de territórios indígenas e os impactos de desastres ambientais em diferentes regiões do continente. O brasileiro Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres-Peixe e o documentário Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky estão entre os destaques da mostra dedicada ao tema.
O festival também mantém um espaço exclusivo para produções sul-mato-grossenses, reforçando sua proposta de funcionar não apenas como vitrine para o cinema internacional, mas também como plataforma de valorização da produção local.
Mais do que uma mostra de filmes, o Bonito CineSur vem se consolidando como um ponto de encontro para realizadores, estudantes e profissionais do audiovisual. Além das sessões, a programação inclui oficinas, palestras, debates e atividades de formação que buscam aproximar o público do cinema produzido na América do Sul.
Em uma época em que a circulação de filmes latino-americanos continua enfrentando desafios dentro do próprio continente, iniciativas como o CineSur ajudam a construir pontes entre diferentes cinematografias e ampliam o espaço para histórias que raramente chegam ao circuito comercial.
