qual o segredo do novo Brasil em Hollywood?

Redacao
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Salles afirma que o bom momento do cinema brasileiro no Oscar vem “na esteira das premiações de vários filmes brasileiros nos principais festivais”, citando Berlim, Cannes e Veneza. “Na maioria desses filmes, a história dos personagens se confunde com algo mais amplo, a história do país. Não por acaso, as questões da memória e da identidade são centrais em vários desses filmes, incluindo ‘Ainda Estou Aqui’ e o ótimo ‘O Agente Secreto'”, diz o diretor. “Esse desejo de oferecer reflexos multifacetados da realidade e uma forma singular de narrá-los talvez esteja ressoando mais fortemente hoje, no mundo tão complexo em que vivemos.”

Como manter o bom momento

Agora que o Brasil conseguiu, pela primeira vez na história, duas indicações consecutivas a Melhor Filme, a conversa começa a ser outra nos bastidores: como não perder esse bom momento? “É importante ter políticas públicas de incentivo que não fiquem à deriva, dependendo da ideologia do governo [no poder]. Precisamos de políticas consolidadas e blindadas, independentemente de o governo gostar ou não de cinema e cultura”, ressalta Moura.

“Acho que precisamos continuar fazendo cinema, sem interrupções governamentais, e seguir estimulando o desenvolvimento de projetos e a melhoria dos mecanismos de incentivo”, concorda Teixeira. “A única chance de continuarmos aparecendo no Oscar é com o aprofundamento dos mecanismos de apoio ao audiovisual que já existem, a criação de novos e o comprometimento de players privados com o nosso cinema, sem medo”, complementa Vicente Amorim, diretor e showrunner de “Senna”, primeira série brasileira indicada ao Critics Choice Awards, atualmente na pré-produção da adaptação de “O Diário de um Mago”, best-seller de Paulo Coelho.

“O principal desafio é transformar o momento em estrutura. O Brasil tem talento criativo de sobra. Isso nunca foi o problema. O que historicamente faltou foi continuidade de política pública, estabilidade de financiamento e uma estratégia internacional consistente para o audiovisual”, afirma o produtor e roteirista Marcos Nisti, cuja Maria Farinha Films está em expansão nos EUA e Inglaterra, com direito a uma filial em Hollywood.

Oscar é bom, mas não é tudo

Há um ditado que diz: “brasileiro não gosta de esporte, gosta de ganhar”. E há o temor de que as redes sociais, que podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal, voltem a deixar a cultura e o cinema de lado caso o país não vença o Oscar, seja neste ano, seja nos próximos. “Nenhum país sustentou uma hegemonia no Oscar de Melhor Filme Internacional. Estamos em um momento lindo do cinema brasileiro e a trajetória de ‘O Agente Secreto’ não pode ser diminuída caso não obtenha uma vitória. O Oscar não pode ser a única medida do sucesso do cinema brasileiro”, ressalta Daniel Marc Dreifuss, produtor escocês criado no Brasil e primeiro brasileiro a ganhar um Oscar de Melhor Filme Internacional pelo alemão “Nada de Novo no Front”, em 2023.

Uol

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