Tarcísio defende que governo Trump classifique PCC e Comando Vermelho como terroristas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou como uma oportunidade a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho como organizações terroristas.

“A gente enxerga isso como uma oportunidade. A partir do momento que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrerorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil, fica aberta a cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros, para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo”, afirmou Tarcísio.

A frase foi dita a jornalistas na tarde desta terça-feira (11) durante um evento no centro de controle operacional do Metrô.

Tarcísio terminou a entrevista e não explicou como poderia ser feita essa cooperação.

Em nota divulgada nesta terça (10), a gestão Donald Trump afirmou que considera que os dois grupos brasileiros são ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas, a violência e o crime transnacional. De acordo com uma reportagem do UOL, Washington já decidiu classificar as facções como terroristas.

Pessoas que acompanham o tema falam em diversos riscos na mudança de classificação, entre eles o potencial de afetar a economia e a competitividade do Brasil no cenário internacional.

A definição do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que têm por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, desde segunda-feira (9), o presidente Lula (PT) se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana, que, segundo aliados do petista, abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.

Entre as opções oferecidas pelo Brasil está a criação de uma cooperação na área do crime organizado. Integrantes do governo Trump, porém, avaliam que isso não é suficiente e que Lula atua para proteger as facções, segundo um conselheiro do presidente americano disse à Folha de S.Paulo.

A discussão nos EUA sobre designar as duas organizações como terroristas ocorre desde o ano passado. Uma ala no Departamento de Estado, órgão análogo ao Ministério das Relações Exteriores, defende dar essa classificação às facções nos moldes do que fizeram com outros grupos da América Latina, como o Cartel de Jalisco, no México.

Esse debate foi impulsionado nos EUA com a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) em 2025.

Uma das preocupações está no interesse do presidente dos EUA nas transações financeiras feitas por Pix. Há quem tema uma tentativa americana de controle dessas operações, sob o argumento de que são usadas pelo crime organizado.

Empresas de cartão de crédito dos EUA são críticas da ferramenta de pagamento desenvolvido pelo Banco Central.

Em novembro passado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou de ofício a proposta de equiparar fações criminosas ao terrorismo. A medida foi anunciada em plenário durante a discussão do PL Antifacção.

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e um dos homens fortes do governo Tarcísio, era o relator do projeto.

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